RESPIRADOR BUCAL
A Hipertrofia adenotonsilar (de adenoides e amígdalas) é responsável por 80% das causas de alterações respiratórias obstrutivas em crianças. Porém existem outra causas que podem levar à obstrução das vias aéreas, como as rinites (alérgicas ou não), os desvios de septo nasal, hipertrofia de cornetos nasais, alterações musculares (flacidez muscular em algumas doenças, como Síndrome de Down ou Paralisia Cerebral), malformações craniofaciais (como fissura palatina), obesidade e tumores nasais e de rinofaringe. Como mencionado anteriormente, a hipertrofia de amígdalas e adenoides é o principal causa de obstrução nasal e consequente respiração bucal na criança, mas para termos certeza é necessário uma avaliação médica e posterior exames para confirmar o diagnóstico e determinar o melhor tratamento a ser instituído. Os principais sintomas das crianças que apresentam obstrução nasal e consequente respiração bucal são, além da própria respiração bucal, roncos noturnos, sono agitado, acorda cansado, sonolência diurna, alterações dentárias, sintomas de déficit de atenção, problemas de concentração, retardo do crescimento e em alguns casos mais graves, Síndrome da Apnéia do sono e deformidades torácicas. Após a avaliação clínica, onde podemos observar se a criança apresenta aumento das amígdalas, se há desvio de septo, sinais de rinite ou outras alterações no exame físico, é importante realização de exames para confirmar o diagnóstico. Em crianças, o primeiro exame é o RX de cavum, onde observamos se há um aumento das vegetações adenoides, que são estruturas que localizam-se na região posterior do nariz, causando a obstrução nasal. Outro exame que podemos utilizar é a nasofibrolaringoscopia, que é um exame em que introduzimos um aparelho de fibra ótica pelo nariz da criança e podemos visualizar diretamente a região da rinofaringe (onde ficam as vegetações adenoides), a garganta da criança e até mesmo a região da laringe (onde ficam as pregas vocais). Porém, este exame não é realizado rotineiramente em crianças pelo desconforto de passar o aparelho elo nariz, mas principalmente pelo medo que as crianças tem de fazermos o exame, sendo muitas vezes necessário sedação para sua realização. Como o RX de cavum nos permite confirmar o diagnóstico, normalmente este é o exame de escolha em crianças. Além destes exames, devemos lembrar que é comum em crianças que apresentam hipertrofia de amígdalas e adenoides também desenvolvam uma otite média secretora, que é um acúmulo de secreção no ouvido, levando a uma redução da audição na criança e em alguns casos, a otites de repetição. Então, após a avaliação clínica, se houver suspeita de otite secretora, é importante a realização do exame de Audiometria e Timpanometria. Em casos mais raros, em que a criança apresenta apnéia obstrutiva do sono sem fatores bem determinados, podemos ainda solicitar o exame de Polissonografia, exame em que são examinados diversos parâmetros (presença de apnéia, duração desta e gravidade, eletroencefalograma, concentração de oxigênio no sangue, entre outros) durante o sono do paciente. Como a maioria das crianças que apresentam respiração bucal, esta é decorrente de hipertrofia de amígdalas e Adenoides (80%), este exame não é muito solicitado na avaliação destes pacientes, mas deve ser lembrado em alguns casos. O tratamento para a criança com respiração bucal depende logicamente da causa e da intensidade dos sinais e sintomas apresentados. Em alguns casos, o tratamento medicamentoso resolve o problema, principalmente em casos de rinite ou pequenas hipertrofias de amígdalas e adenoides. Porém nos casos mais severos, a cirurgia pode ser a solução do problema e como já dissemos, a cirurgia de adenoides e/ou amígdalas podem beneficiar cerca de 80 % das crianças que apresentam obstrução de vias aéreas, já que são as principais causas. Quando a cirurgia é necessária, é importante ressaltar que a criança precisa fazer avaliação pré-operatória, com realização de alguns exames de sangue e avaliação anestésica. Caso tenha alguma outra doença, também deverá ser avaliada quanto aos riscos desta doença interferir no procedimento cirúrgico e anestésico.
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